domingo, 2 de dezembro de 2018

Sob a Luz dos Sete para Ler


Você encontra informações sobre Game Of thrones no mundo internet de todas as formas: podcats, site, fóruns, grupos... Enfim, é muita gente pensando, torcendo, teorizando, vivendo essa série que é sucesso mundial lançada em 2017.
E foi arrebatador – como disseram aqueles que já conheciam os livros, desde lá  em 1996 quando o primeiro foi lançado.
Eu resolvi ler os livros quando falaram sobre aquela diferença entre série e livro, mas confesso que demorei. Fiquei protelando o quanto podia, até que a curiosidade foi mais forte e me vi lendo o Game Of Thrones e ficando impressionada com o calhamaço que é (só de livros publicados são 4228 fucking páginas). Mas fui lá, abençoada pela Mãe, comecei e fui indo e percebi que Martin é detalhista ao extremo: uma subida ao Ninho da águia, sede da casa Arryn, lar de Lysa Arryn e Robert Arryn leva umas 3, 5 páginas com descrições  em detalhes da caminhada, até da forma como o casco do burro bate na terra fofa ao subir. Pois é gente, é uma riqueza de detalhes, nomes repetidos, uns nomes com mais consoantes que vogais, fora os que se repetem.  Sem contar as  tramas e subtramas com tudo isso aí e você tendo que lembrar quando, onde e como.
Não é uma leitura das mais fáceis, vocabulário rebuscado e muita coisa ao mesmo tempo. O segundo, lançado em 1998, a Fúria de Reis eu li mais rápido, mas meio que passou batido. O terceiro, Tormenta de Espadas, lançado em 2000 (note aí um intervalo de 2 anos entre esse e o outro) e suas quase novecentas páginas incríveis. E levei um tempão também, não nego.
Mas eu empaquei mesmo no Festim dos Corvos lançado em 2005, eu levei... Um ano para ler o livro. Sim, eu sei, SHAME! SHAME! SHAME!
Estava toda enrolada com todas as leituras, meio sem ânimo, totalmente com preguiça.
Eu leio dois livros ao mesmo tempo, respeito o meu ritmo, eu já sou lerda, se colocar mais eu levo dois invernos em Westeros pra acabar. Mas confesso que nesse eu me superei. Estava meio brocha com as coisas que eu gostava, dentre as quais a leitura e fui deixando pra lá.
Tirei férias esse ano e coloquei como meta, terminar a leitura. Fui avançando mas a leitura como disse acima é confusa, cheia de entremeios e não aparecem os principais: Jon, Tyrion e Daenerys. Lembrando que esse livro primeiramente foi apresentado por George Martin a editora com 1527 páginas e declarado impublicável, aí ele teve a ideia de dividi-lo em dois. Só que apareceu uma ideia melhor ainda, dividi-lo geograficamente: o primeiro se passa no Sul, o segundo em Essos e as histórias acontecem simultaneamente. Nesse sentido eu não liguei muito que os ditos grandes nomes da série não estivessem ali, porque eu tenho verdadeira paixão pela dupla Jamie e Cersei. E depois da drástica mudança de caráter de Jamie no livro anterior, minha admiração pelo cara só aumenta, mesmo ele continuando um pouco escravoceta , mas começam a brilhar algumas mudanças nesse personagem.
Ouvi que esse era o livro da Cersei. E é. A personagem está mais visceral que nunca, quase enlouquecida pela sede de poder. Cega para qualquer coisa que não seja ascender ao trono através do filho que segundo ela está protegendo. A profecia de Maggy:
- Podeis fazer três perguntas - disse a velha, depois a sua bebida. - Não ireis gostar das minhas respostas. Perguntai, senão fora convosco.
Vai, pensou a rainha que sonhava, controla a língua e foge. Mas a rapariga não tinha suficiente bom senso para sentir medo.
- Quando é que me caso com o príncipe? - perguntou.
- Nunca. Casareis com o rei.
Sob os seus caracóis dourados, o rosto da rapariga enrugou-se de perplexidade. Durante anos, depois daquilo, pensou que aquelas palavras queriam dizer que não casaria com Rhaegar até depois do pai, Aerys, ter morrido. 
- Mas vou ser rainha? - perguntou o seu eu mais novo.
- Sim. - A malícia cintilou nos olhos amarelos de Maggy. - Rainha sereis... até chegar uma outra, mais nova e mais bela, para vos derrubar e roubar todo aquilo que vos for querido. 
A ira relampejou na cara da criança.
- Se ela tentar, mando o meu irmão matá-la - Nem mesmo então parou, sendo como era uma criança obstinada. Ainda lhe era devida mais uma pergunta, mais um vislumbre da vida que a esperava. - O rei e eu teremos filhos? - perguntou.
- Oh, sim. Ele dezesseis, e vós três. 
Aquilo não fazia sentido para Cersei. O polegar latejava onde o cortara, e o seu sangue pingava no tapete. Como pode ser isso?, quis perguntar, mas já não tinha mais perguntas.
Porém, a velha ainda não terminara com ela.
- De ouro serão as suas coroas e de ouro as mortalhas - disse.
E essa profecia dispara o estado de alerta da rainha que começa a se livrar de todos a sua volta mantendo o rei Tommen perto de si para que tenha poder.
O crescimento de Jamie na história é maravilhoso. De um pau mandado da irmã vemos aquele cara que salvou Brienne do urso e perdeu a mão indo de encontro a si mesmo, seus valores, dando até atenção até a seus filhos.
Brienne tem tanta coisa nos livros! Ela é o fio condutor da ação e seguindo com sua promessa de achar Sansa que foi feita a Catleyn Stark ela vaga por campos perigosos com homens que sobraram da guerra e seguem sem um rei ou ordem destruindo tudo e todos em seu caminho.
Arya Stark e a Casa dos Homens sem rosto satisfaz muito mais nos livros, do que na série. Ela está lá se preparando para “fazer” aquela lista que a acompanha, mesmo que tenha deixado de ser Arya, para ser Ninguém.
Mas o grande diferencial mesmo é a presença de Lady Stoneheart, isto é o que sobrou de Catelyn Stark depois do casamento vermelho em que foi jogada e ficou três dias no rio. Quando foi encontrada pela Irmandade que inicialmente lutava pelos Lannisters em nome do rei Robert, Beric Dondarion a encontram mas como havia se passado muito tempo, Beric doa sua última vida (ele só pode ressuscitar 7 vezes).
O que ressurge não é nem Catelyn, a pele machucada e as marcas de unha feitas no próprio rosto por ela em desespero ao ver o filho morto permanecem, além do corte de “orelha a orelha” feito pelos Frey e para tornar tudo mais aterrorizante (ou interessante) ela não fala apenas alguns sussurros quando tampa a garganta.
Quando eu li essa parte, pensei o quanto isso ficaria foda na série. O quanto seria fantástico ter ali algum tipo de vingança pelo casamento vermelho que com certeza nenhum fã de GoT passou incólume!
Outra coisa que é bem diferente no livro é Dorne. Arianne Martell ficaria perfeita na tela. Aliás, Dorne é cheio de protagonistas maravilhosas que enriqueceriam o empoderamento feminino já característico da obra. Outra parte que gostei também.
Tem muita coisa que foi para a série, como a história dos Altos Pardais que servem a Cersei para acabar com o começo do poder que Marguery estava exercendo sobre Tommen. Mas, quem viu a série e leu o livro sabe que o feitiço, virou contra o feiticeiro. Aliás, rainha.
O livro é todo inteligente. Inteligentemente complicado. Uma riqueza muito grande de detalhes e uma história muito boa, mas muito cheia de coisas que você tem que se esforçar para não cair na armadilha de só assistir a série. Mas se você decidir só assistir a série, tá tudo bem, você não é menos fã não. Não existe menos fã por isso, ou mais fã. Fã é fã. Você gosta torce e conversa sobre e quando você faz isso, colabora para que todos façam mais coisas com conteúdo para nosso deleite.
Mas enfim, o livro é bom. Vai te dar sono, você vai ficar meio disperso mas não menos ansioso para poder ler o próximo. Bem, foi isso que aconteceu comigo.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Stephen é o King


Com livros que venderam quase 400 milhões de cópias, é o nono autor mais traduzido do mundo.
King é sempre citado quando o assunto é terror e suas histórias fazem parte da vida de muitas pessoas e se tornou algo marcante. A escrita tem uma assinatura, reconhecida de imediato pelos fãs. Com uma vida pessoal que conta com a história de ainda criança ter presenciado um acidente horrível em que um dos seus amigos ficou preso em uma ferrovia e foi atropelado (que reza a lenda isso liberou o dark side do autor para suas criações de terror, mas ele mesmo nega), e ter sido alcoólatra e dependente químico – e por isso não se lembra de ter escrito seus grandes sucessos como Cujo e It, tamanho era o problema com essas substâncias. Fora ter sido atropelado por um motorista distraído em uma de suas caminhadas: sofreu um traumatismo craniano, fraturas múltiplas em uma das pernas, perfurações em um dos pulmões e foi submetido a três cirurgias.
O que importa é que o cara tá vivão e sua obra sempre em destaque inclusive no queridinho de todos, Netflix, com os filmes 1922, O Nevoeiro, Conexão Mortal, Celular, Under The Dome, Pacto Maligno, Cemitério Maldito, Christine O Carro Assassino e Jogo Perigoso (Gerald’s Game), baseado no romance homônimo de 1992.
Numa tentativa de reacender o fogo do casamento , Gerald (Bruce Greenwood) e Jessie (Carla Gugino) – que aliás está em outra empreitada de terror de sucesso  na Netflix  A Maldição da Residencia Hill (que assim que eu tiver um pingo de coragem assisto de venho comentar com vocês) – viajam para sua casa de campo, num fim de semana que ninguém estará por perto, para realizarem fantasias sexuais dele.
Quando está algemada na cama enquanto o esposo toma Viagra...
Aí dá tudo errado!
O cara morre deixando Jessie presa a cama, enquanto revê toda a sua vida ao lado de uma projeção de si mesma e do marido.
Sentindo dor, sede e desespero ela conversa consigo mesma e o marido tentando achar razões para alguns porquês de sua vida. O filme tem alguns gatilhos emocionais fortes e é um filme com muitos simbolismos e verdades ditas na cara. Aquelas verdades que nos esquivamos a vida toda para fugir da dor/realidade e ficarmos confortáveis em nossa bolha preguiçosa.
Apesar do filme se passar dentro do quarto o tempo todo e a sensação de desespero vai crescendo de acordo com aquilo que descobrimos, em nenhum momento o filme fica monótono e sentimos tudo: medo, repulsa, agonia e tristeza.
Uma das grandes sacadas da obra é usar um monstro como símbolo de todas as coisas que a protagonista passou, colocando uma forma em todos os sentimentos dela, tal qual um bicho papão. Que gera a pergunta: se todos os seus medos formassem um monstro, qual seria a forma dos seus medos?
O primeiro clímax é a cena dela ficar fazendo careta pra tela, mas também traz o simbolismo de se livrar das algemas que a machucam muito mais ficando nelas do que saindo. Mostra que vale o sacrifício de ser livre.
Quando o filme recomeça, vemos que nem tudo é final feliz, aliás muito provável que no final feliz o protagonista esteja catando seus próprios cacos. E é isso que vemos desta vez. Mas mesmo catando cacos, ferida por todas as verdades que mastigaram sua vida, Jessie segue fazendo o bem, transformando tragédias em novos começos para outras pessoas.
E em um novo clímax, ela enfrenta seus medos, agora porque quer! Porque quer se ver livre de uma vez, olhar nos olhos  do Monstro e enterrar de vez seus traumas.
É um terror que pouco tem de irreal, vem para mostrar que muitos monstros, terrores e a essência do mal nada tem a ver com o sobrenatural às vezes. Muitas das vezes está no outro, na covardia do ser humano em machucar alguém  sem pensar nas consequências que isso traz e sem contar que esses monstros nos acompanham a vida toda e muitas vezes a gente se depara com outros e por termos que normalizar essas situações continuamos nelas.
Dessa vez, e desde Scooby-Doo, King deixa o terror clássico de lado para contar uma história forte em que os monstros são as pessoas.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Odeio quando o personagem principal morre e a série morre junto



Narcos pra mim sempre foi ótima desde o primeiro episódio. Wagner Moura com seu Pablo Escobar com aquele andar de jeca, o olhar meio morto e o penteado duvidoso eram a luz da produção. Que também tinha seu mérito, um elenco de apoio afinado que garantia boas atuações e cenas de tirar o fôlego.
A série ganhou notoriedade levando quem estava com ela a participar de outras produções conhecidas, trazendo um hype para a produção na segunda temporada que contava o final do traficante mais procurado do mundo e quando acabou, muitos pensaram: e agora?
E agora a história é outra... Sem o parceiro Murphy (Boyd Holdbrook) que volta para os EUA (que na vida real antes ir adota a segunda filha na Colômbia), Javier Peña (Pedro Pascal) enfrenta o cartel que mais parece a Hidra da mitologia grega, que quando se cortava uma cabeça duas nasciam no lugar.
A quesito de curiosidade: O Javier Peña da vida real voltou para os Estados Unidos em 1994, um ano após a morte de Pablo e não se envolveu com a caçada ao cartel de Cali.
E tal como a Hidra surgem mais cabeças, aliás quatro: Gilberto Rodríguez Orejuela (Damian Alcázar), José Santacruz (Pêpê Rapazote que é português),  Hélmer “Pacho” Herrera (Alberto Ammann). Pacho era homossexual na vida real,  foi o último do Alto escalão a ser preso e foi morto em uma partida de futebol dos campeonatos que organizava na cadeia por um homem que se identificou como advogado, Miguel Rodriguez (Francisco Denis).
A verdade é que a história não anda. Ela não flui como nas duas temporadas em que temos um personagem encabeçando as histórias, mesmo que contraditório, tornava a narrativa mais interessante. Os quatro chefões do Cartel se bem trabalhados, se a apresentação de suas histórias acontecesse, enriqueceria a trama que patina em diversos momentos.
Aliás, se tem uma coisa que acontece em Narcos é dar aquela impressão de “agora vai”, os personagens mostram algumas nuances interessantes, mas ficam presos nas caras de malvados e mostram só a realidade do Cartel.
Com Pablo tínhamos um pouco da sua história pessoal, um pouco dele em cada ação, mesmo as terroristas. Ele deixava sua marca pessoal em cada ato porque ele foi apresentado ao público com aquele tipo de personalidade e foi ela que ditou o tom da história.
Tudo é muito raso, não vou entrar nem no mérito que nenhum dos caras tem o carisma de Pablo, as atuações estão dentro de um espaço limitado de quem só faz o que estão mandando.
Não tem mais as tocaiais, o “nem tudo é o que parece”, companheiros fiéis para se entrar na mata.
Tudo ficou no telhado com o corpo de Pablo.
O que se vê é um desfile de personagens que poderiam ter uma dimensão maior na tela mesmo sem o principal, que deu origem a série, com seu brilho, pois nada acabou com a morte dele. Tem uma continuidade justificada aí.
Quem coloca um pouco de adrenalina nas coisas é Jorge Salcedo (Matias Varela que é sueco) que leva uma vida dupla como agente infiltrado, ele é o responsável, junto com Peña, pela parte humana da luta contra o narcotráfico. Ficamos preocupados, torcemos, mas ainda sim falta alguém carismático que sendo vilão ou herói toque o público e faça a história do Cartel brilhar de novo.
O que acontece são episódios que giram em círculos e outros que acontecem coisas pontuais, mas não chegam nem aos pés dos acontecimentos das temporadas anteriores.
Mudar o foco como manobra para manter a obra, já que a premissa tinha começo, meio e fim, está certo, mas manter a qualidade de seus personagens é primordial para que continue sendo interessante assistir.
Narcos é uma obra inteligente que confiou demais no próprio enredo e não aprofundou o que podia apresentando novos personagens para ficar na memória dos amantes de séries. O que aconteceu foi uma temporada morna para fria que não vai deixar sua marca.
Com uma história poderosa nas mãos Narcos perdeu a oportunidade de consolidar mais personagens e criar uma expectativa para a quarta temporada já confirmadíssima.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018


Gran Finale- Sharp Objects

É aquele negócio né, nunca a série ou filme vai ficar igual ao livro. Mas Sharp Objects, se saiu muito bem em todos os sentidos. O ritmo da trama se manteve no clima do livro com o auxílio de um elenco harmonioso com seus personagens inclusive com os cenários.
As roupas de Adora, impecáveis em tons claros contrasta com as roupas de Camille já desgastadas e em tons escuros que parecem ter saídas de algum buraco, e as roupas da vida dupla de Amma, que alterna em ser uma  cópia de Adora tão louca e obsessiva quanto, e na  rua uma little bitch de marca  maior., E é numa dessas acompanhando as irmãs que chegamos ao clímax na série, aquele momento que toda a verdade será revelada e as crueldades de Adora,  se tornam algo real e que vem lá de trás do relacionamento que ela tinha com a mãe.
Na série optaram por omitir o fato que o casamento de Adora foi armado, pois ela era mãe solteira e inseriram  tanto quanto subentendido que acontece algo, ou o é só da parte do Xerife Bill Vickery ou apenas Adora que controla tudo e todos na cidade, inclusive as pessoas que merecem ou não atenção na cidade. Ela está em todos os lugares, é a figura regente na cidade. Após conversa com a melhor amiga da mãe, a ébria Jackie O’neill ( Elizabeth Perkins), as suspeitas de Camille a respeito de Adora se tornam cada vez mais menos suspeitas.
Tudo se concretiza quando depois de uma festança regada a drogas as duas chegam em casa e Adora se prontifica a cuidar da sua prole com todo amor e carinho que lhe é característico.
Muito xarope, muita lavação de roupa suja, uns puxões de cabelo e aquelas declarações mordazes a uma Camille completamente dopada na cama.
Aí parece que a coisa meio que acelera demais, diversos acontecimentos do livro que enriqueceriam ainda mais a trama não são mencionados.  Essa aceleração acaba meio que apagando o brilho do final que é tão incrível. Quando a série  meio que recomeça, as coisas parecem ter sido colocadas ali de forma muito subjetiva, quase como para se descobrir sozinho pelo telespectador, o que não é de todo ruim, para quem não  leu o livro é uma big surpresa e talvez  não fique tão ruim, mas para quem leu, fica  a sensação de que faltou algo, faltou um final com mais diálogo, mais ações. Ficou meio que vazio aquelas cenas desfocadas, a idéia de misturar o presente  com o passado é ótima mas poderia ter escolhido um momento para cada uma.
É como um vídeo clipe que tem momento certo para acabar e dar a sua mensagem. Talvez tenha sido o jeito de mostrar que a história não tinha acabado com o fim.
Terminamos meio atropelados como Camille, ouvindo seus pensamentos confusos entre a nova responsabilidade e a descoberta.
A cena pós créditos, recurso que a maioria dos filmes já usa, na série é uma grande sacada que apesar do corre corre do término, é super bem usado e dá aquele impacto que nos deixa de queixo caído com tudo aquilo que passou por nossos olhos e a ficamos ali com aquela revelação.
A série é incrível... Muito bem adaptada, apesar desse final que ficou meio fora do compasso do resto, tem uma direção muito eficiente de Jean-Marc Vallé (Big Little Lies). A história é muito mais que  “quem matou” – isso é superado todo o tempo.
Sharp Objects é como toda obra de Gillian Flynn, sobre o humano. Sobre mulheres quebradas em sua vida, que levam isso em suas rotinas, que vão de encontro às consequências de suas omissões, loucuras, amor, egocentrismo, dor, o que for. A autora fala ao centro do universo feminino quando deixa que suas personagens serem o que elas querem, sentir o que elas realmente estão sentindo. Elas são o que são. Camille é na pele o que ela é por dentro, tão forte para ir à cidade natal, mas fraca para ter medo da mãe e amar a irmã e ter medo de ir pra cama com um cara, enfim, Camille é a reunião de todas as mulheres que existem em nós em momentos da nossa vida.
Uma obra forte e interessante, Sharp Objects valeu cada episódio.


EU AMO ESSA: LEGENDS OF TOMORROW

É coisa de herói né gente, coisa de herói tem um lugar especial no meu coração. Comecei a assistir com o mozão e xonei. Deus, como eu amei, desde o primeiro episódio. E foi ai que eu descobri que muitos não gostam dela.
Por que meu Deus, por quê...?
A série que pertence ao Arrowerse (Arrow, Flash , Super Girl e a já anunciada Batwoman) tem os personagens de segunda base da DC que já começa no ano de 2166 quando o vilão Vandal Savage (que já apareceu em Flash) tá pra trazer o caos total e a destruição da humanidade enquanto o mestre do tempo Rip Hunter tenta resolver por si só as coisas. Do futuro, vamos para 150 anos no passado aonde ele convoca entre bandidos e vilões um time excepcional.
Antes de falar qualquer coisa aqui, tenho que admitir que estou há séculos na primeira de Arrow, vi a terceira de Flash e não vou assistir Super Girl. Ou seja, haja spoiler pra tomar. E é muito. Muito mesmo: gente que morreu, gente que era inimigo, agora está do lado da justiça, enfim, tem que dar uma olhadinha nessas séries por conta de spoiler e pra não ficar tão perdida. A minha sorte é que mozão manja dessas séries e me dá um suporte, na falta de mozão procure o nerd mais próximo, se no mais tudo falhar, GOOGLE, esse aí não falha.
A série é muito bem escrita, as viagens no espaço / tempo são maravilhosas e quando até a nave é uma personagem, não tem como dar errado.
Outro ponto importante é que a caracterização de quando eles viajam no tempo é algo teatral, bacana de tão simples, mas muito bem feito. Os efeitos especiais vem em constante melhora, até porque um filme, uma produção maior com mais orçamento, tem mais tempo and dinheiro  do que uma série que tem capítulos semanais a se cumprir e tem que ter “altos” efeitos especiais. Ao menos é honesto e não compromete nem um pouco a trama, que aliás tem mérito total do elenco. Que diante de histórias muito das bacanas como as já faladas viagens no tempo, heróis incríveis, personagens da história, acontecimentos tem uma história  inteligente que coloca todos como protagonistas e trabalhando para que funcione.
Tem umas atuações caricatas? Claro que tem! Brandon Routh (Ray Palmer\ Átomo) chegou perto de convencer como ator em Superman-O Retorno, de resto sempre fez as coisas com a mesma cara e mesmos trejeitos que no caso da série já casam com o personagem e a gente releva por que está se esforçando e não está conseguindo mas mesmo assim é bom. Como isso? Não sei, funciona na tela. E sem contar que ele tá sempre de personagem de alguma história nerd: Superman, Dylan Dog, Scott Pilgrim... O cara tem se especializado. Franz Drameh (Nuclear) precisou chorar em uma certa cena e não passou nenhuma veracidade e Maisie Richarson-Sellers (Vixen) com aquela cara de quem ainda não sabe o que está fazendo, o que fica menos pior na terceira temporada completa do time dos “canastrões que amamos”. Tem uma coisa que eu noto com muita frequência é os moles que a equipe de produção dá com os dublês na cena de luta, principalmente nas da Canário Branco (Caity Lotz): dá pra ver nitidamente por conta do cabelo muito diferente da atriz. Mas numa pesquisa aqui para escrever, ela é praticante de artes marciais desde cedo além de ser bailarina. O crescente da personagem é a olhos vistos e muito bom porque temos uma personagem bissexual e do sexo feminino como capitã de uma equipe. As histórias são cheias de piadas e referências, pois temos dois super nerds: Átomo e Gládio (Nick Zano).
Os episódios em voltamos  na infância de Ray Palmer e outro em que se depara com um grande cineasta que a carreira quase vai por água abaixo por causa das Lendas. São  alguns dos meus prediletos.
A série é inteligente e bem articulada e não tem momentos de marasmo, a todo momento está acontecendo alguma coisa mesmo nos diálogos. Luz, fotografia e ângulos são artifícios bem usados para que agradável aos olhos.
Os crossovers são um espetáculo a parte, mesmo tendo que assistir um episódio de cada série pra depois voltar pra Legends (mesmo ficando perdida) são muito bem construídos. O da terceira temporada envolvendo a Terra 53 é incrível. Até porque tem a volta de Snart (Went Worth) repetindo a dobradinha de sucesso com Dominic Purcell (Mike Rory/ Heat Wave) de Prision Break. Aliás esse último é o responsável por momentos ótimos na série além de ter um episódio familiar que é bem legal. Não só com Snart, mas Rory atormenta a tripulação inteira da Waverider. Mas está ótimo no personagem. Snart soa afetado e dá tudo ao personagem, até um olhar característico marcante. O cara se dedica.
Em verdade, em verdade não existe nos quadrinhos nenhuma série com o nome de Legends Of Tomorrow, a DC entre 1998 e 2001 publicou uma antologia com o nome Legends of the DC universe com histórias separadas de diversos personagens da editora.
CW está fazendo um ótimo trabalho trazendo esses heróis. Estou na terceira, sigo apaixonada e não me lembro de tédio ou de um episódio ruim. É muito bom. Vale a pena conferir.
“Don’t call us heroes, we are legends”.


domingo, 21 de outubro de 2018

Hype ou não hype? Eis a questão

O hype realmente é algo que divide opiniões: ou você fica doido para ver a razão do assunto ou te faz tomar birra e nem querer assistir.
Eu particularmente fico entre as duas opções acima. Tem coisa que eu acho que não vale nem a pena perder o pouco tempo que eu tenho para assistir séries e afins. Às vezes é só modinha mesmo. E nem tudo que é unânime é bom. Ou é. Depende dos olhos de quem vê.
Nesse hype de Riverdale, La Casa de Papel, Sierra Burguess is a loser, Para todos os Garotos que já amei, Os inocentes, American Horror Story, Elite tem coisas que realmente despertam a nossa atenção e outras que podemos ficar sem ver, por que, né? Não vai fazer a menor diferença. Ou você pode ser como eu e ser consumido por uma curiosidade mórbida e se dispor a assistir.
E hoje eu assisti Riverdale e comecei a assistir com os dois pés atrás. Já tinham me dito que era clichê, o lance de um monte de jovenzinhos de uma cidadezinha correndo atrás do próprio rabo com pano de fundo um crime, muito beijo, cenas quentes, garotas padrão  e o tal do Archie (KJ Apa) com aquela tintura horrorosa e sem camisa sempre quando pode (desculpa gente), a quantidade de canais de Youtubers que colocam o tempo todo o elenco, o que fazem, o que vestem, o que comem, como respiram de modo perfeito...
Mas aí veio o teaser (instigante no mínimo) de Chilling Adventures Of Sabrina que estreia no dia 26 de outubro no Netflix, tem os mesmos produtores de Riverdale e pertence ao mesmo universo da Archie Comics que eu fui assistir.
E não, eu não me arrependi. A série é muito bem feita. Na medida certa pra agradar mesmo. Pra ter fã. Pra ter zilhares de pessoas comentando o primeiro episódio e o season finale e todo mundo pular de alegria quando anunciam a terceira temporada.
Riverdale é essa gracinha mesmo. Os personagens transitam tranquilos na trama fazendo com que a gente se afeiçoe muito rápido e já escolha o seu preferido. O meu?
Eu fiquei morta de amores pela bitch que está tentando ser good bitch, Veronica (Camila Mendes), mas também gostei do Nancy Drew Meet O Médico e O Monstro de Betty Cooper (Lili Reinhart), mas fiquei mexida com a coisa metade má metade sofrida de Cheryl Blossom (Madelaine Pertsh). Esses personagens são, apesar de todo o clichê, muito bem construídos e abaixo de todas as camadas do que já conhecemos existem coisas da idade muito bem trabalhadas e inteligentes.
Aliás, temas pesados são super, estão lá: os pais abusivos, os problemas de escolher o futuro, de não ser o suficiente, as paixões e problemas. E os assuntos são tratados de forma muito real e são incorporados trama enriquecendo a série.
A série é adolescente mas trata com seriedade essa fase da vida  sem deixar de lado os crushes, desilusões, intrigas e rivalidade que fazem parte dessa fase da vida.
As locações são geralmente espaços pequenos que dão  aquela sensação de chuva que se passa do lado de fora, o lugar com mais espaço é o drive in e na cena em que é usado optam por fazer grandes takes, dos principais atores com os seus conflitos.
A série respeita quem for assistir, não tem nada que já não tenhamos visto, mas vale o hype. É isto. Vale sim. E o “quem matou e por que matou?” se encaixa perfeitamente nas subtramas fazendo que as coisas que acontecem ao mesmo tempo não fiquem emboladas e sigam o eixo da história central.
As atuações também são boas, os atores estão bem dirigidos e acertando o tom. Procurando dar características para se tornarem marcantes. A trilha sonora é incrível e o os figurinos de Cheryl e Veronica são esplendorosos. Fora a fotografia que é bem bacana.
A lição que fica é que você só vai saber se o hype vale a pena... Vendo. Só assim e só assim. E assistir sem pré-julgamentos (isso serve pra mim inclusive), assistir por que de repente o assunto te interessa e você pode descobrir mais alguma coisa para amar. Como eu descobri.
O clima de mistério e personagens problemáticas caíram no meu gosto me fazendo devorar a primeira temporada. Além de debater os temas, algo que eu achei muito bom é que as meninas estão diversas vezes se ajudando, aliás um episódio quando isso acontece é lindo. Fora o filho gay que é aceito e não é o gay idiota estereotipado, o estranho repudiado por todos... Essas diferenças trazem uma esperança que novas produções tragam mais coisas fora do que é visto. Sabemos da dificuldade da criação, mas um clichê se usado com inteligência, fazendo uso da realidade que temos hoje, conseguirá fazer o que são obrigações dessas produções: divertir e informar.
Fica a dica aí pra quem está lendo muito sobre mas ainda não teve coragem de clicar para ver. E se não gostar, tá okay também, ninguém é obrigado a nada e isso não te faz hater.
É para isso que essa diversidade de produções existem: para atender a diversidade de gostos.



Quando uma questão de empatia transcendeu a política em uma eleição


Se você é brasileiro e não foi buscar água em Marte está sabendo do assunto mais comentado do nosso país: as eleições. O negócio foi tão “brabo”, o pessoal está postando tanto nas redes sociais, que nem colocar fotinha de quando era criança o povo lembrou. Nem rolou aquele lance de ficar perdido sem saber quem é porque mudaram a foto.
A discussão está acirradíssima. As falácias pesadíssimas. Fake News e informações disputam com o  Facebook  o almoço de domingo, é a grande hashtag do momento. Tem gente que já está contabilizando os amigos e parentes que perderão até o Natal e já estão procurando quem resta para passar as festas de fim de ano.
O negócio é sério. É mais que uma hashtag. É o futuro de uma nação inteira, são nossas vidas, nossos amigos, nossa liberdade. Essa eleição transcendeu a política. Ainda é política, mas é de caráter moral. É uma eleição de votos estratégicos, que não adianta votar por afinidade política, é um voto que é secreto, mas não é individual. É um voto que dependendo como for é egoísta, assassino, preconceituoso e violento.
No domingo quando foi decidido o primeiro,  turno estava com meus amigos e meu namorado nos divertindo até o momento do anúncio dos candidatos que iriam para a disputa do próximo turno. Eu fiquei pretrificada com o resultado. Estava jogando The Godfather, um jogo que eu estava louca para jogar há séculos, mas quando eu vi que aquele senhor estava perto, aliás muito mais perto de ser nosso presidente, contra o PT que é o partido com a maior coleção de haters do país... Eu fiquei muito desesperada. Porque tudo eu conheço e amo vai sumir. Vai virar histórias contada por sobreviventes nas estradas ou vestígios que deixarem passar.
Até eu me pergunto às vezes se não estou sendo dramática demais, mas as coisas que ouvimos falar desse regime, as coisas que vimos nas escolas, os filmes, os livros e os depoimentos de pessoas que viveram essa época não podem deixar margem de dúvida de o quanto vai ser prejudicial para alguns grupos de pessoas quando isso acontecer.
Pessoas que eu nunca imaginei concordarem com as ideias daquele senhor o estão apoiando e eu fico muito sentida porque eram pessoas que eu tinha em mais alta conta e sempre admirei e não esperava que essa violência pregada por ele, embalada como transformar o Brasil, conseguisse atingir tantas pessoas.
Eu entendo. A gente tá passando por um merdelê enorme em nosso país e as pessoas estão cansadas de todo dia um roubo diferente na mídia feito por quem deveria nos representar. As pessoas estão cansadas de mentiras embutidas em planos de governos de partidos que roubam para si e para os outros.
Por isso esse repúdio ao PT. Eu particularmente não consigo defender o PT, mas agora é a hora de pensarmos no coletivo. Como temos lido nas redes de alguns: “se a gente votar no PT tem como irmos as ruas e fazer protesto, num governo fascista isso não será possível”. Eu sei que o PT cagou muitas coisas, mas por outro lado também acho que fez ótimas coisas. Provado. O que não pode nos cegar é trocar algo ruim pelo péssimo, ter nossa liberdade cerceada por um militar que acredita que se der uma porrada, tudo se transforma.
É porrada que você quer?
Viver com medo, sair com medo. Ser refém dele. Desculpa se eu estou sendo radical, mas quem apoia esse homem, que como dizem tem sido vítima de uma mídia suja que distorce tudo que ele diz, deve estar em dia com o padrão que ele diz defender. Se bem que eu acho que no final, até seus asseclas, sofrerão as consequências.
Quando eu vejo um nerd apoiando esse cara me dói, por que ele assistiu tantas coisas desse universo que são revolucionárias que prezam pela liberdade e não é possível que não aprenderam nada!
Será que eles pensam mesmo que um cara como aquele que trata negros como animais vai respeitar quem se veste de um personagem que nem existe? Eu tento entender mas isso vai além da minha compreensão e parecem estar todos sob uma hipnose fortíssima em que Fake News são verdades absolutas e grupos de whatsapp são a fonte mais confiável do mundo.
Amigos meus estão dizendo que quem vota nesse  homem tem um desvio de caráter muito grande, eu ainda não quero pensar assim quero ainda acreditar que nessa fé cega por um salvador da pátria as pessoas estejam se afastando do que é verdade , quero pensar que eles estão querendo o tal “meu partido é o Brasil” e não querem ver o que tá rolando e estão justificando o que ele fala como a última chance do Brasil melhorar. Mas eu confesso que já estou ficando p*** da vida. Já exclui alguns, e olha que eu já disse que cortar amizade não, mas avaliar as atitudes dessas pessoas sim Por que esse voto fala muito sobre os reais pensamentos desse alguém. Tem muita gente que fiquei com pé atrás. Fora o povo que quer causar e vive bostejando sobre esse senhor. Pior são aqueles que desmereceram os ataques ocorridos com algumas pessoas, alguns disseram que “nossa como de repente começaram os ataques né” ou “ a violência nunca existiu, começou tudo agora”.
A violência sempre existiu, sempre contra essas pessoas então é algo infelizmente rotineiro, mas quando um presidenciável legitima isso e diz que isso vai ser um dos modos como ele vai governar o país, essa violência ganha força e passe livre para acontecer.
“Ah, mas não é ele que está violentando as pessoas”.
“Ele não tem culpa”.
“Quando chegar lá ele não vai poder fazer nada, por que com certeza o senado não vai apoiá-lo”.
É o eleitorado dele que está fomentando isso, aos gritos de seu nome, dizendo que quando ele for eleito será possível fazer todas essas coisas, e ele tem culpa sim. Toda vez que ele fez aquele sinalzinho dos dedos com a arma, ele faz com que mais pessoas se sintam livres para fazer o que quiser com quem não lhes agrada.
E eu quero muito, muito acreditar nisso de que quando ele chegar lá o senado não vai lhe dar ouvidos. Mas dentro do meu coração eu acho super possível que o senado acate cada ordem achando que já foram permissivos demais com os brasileiros. Liberdade pra pensar demais, saca?
A questão não é mais política, é humana, é sobre vida ou morte. É sobre estarmos na rua e ser abordado por um exército que vai nos vigiar e nos limitar.
Deixando claro aqui que é a disputa entre ruim e o pior. O famoso se ficar o bicho pega, se correr o bicho come, não queria ter que votar entre nenhum dos dois. Nenhum dos dois me representa. Mas hoje, pela nossa integridade e de quem amamos é necessário tomar uma posição direta a nossos direitos.
Tempos tenebrosos nos aguardam e eu sei que terei de ser resistência, mas estou com medo, muito mesmo. Domingo estava com amigos queridos e pensei que tudo aquilo poderia acabar e ser só uma lembrança enquanto todos sofreremos em novos porões da velha ditadura.
Eu decidi lutar, fazer uma militância, no face, no insta, nos meus textos. Defender o que eu acredito sem me render. Inclusive contra o PT por que se o senhor Haddad chegar vitorioso ao fim desse episódio horrível de Black Mirror Brazil Edition eu vou cobrar dele, afinal políticos são nossos empregados e nos devem conta de tudo. Se possíveis já pagas.
Eu não vou aceitar nenhum tipo de reprimenda ou deboche com esse assunto tão sério. Estou tentando não ser extremista, mas está difícil. E também não quero os que são contra esse senhor sendo extremistas. Se defendam, defendam o que acreditam. Sejam resistência como puderem, com quem quiser ouvir.
Sejamos resistência. Mudaremos o mundo com coragem e amor