O hype realmente é algo que
divide opiniões: ou você fica doido para ver a razão do assunto ou te faz tomar
birra e nem querer assistir.
Eu particularmente fico entre as
duas opções acima. Tem coisa que eu acho que não vale nem a pena perder o pouco
tempo que eu tenho para assistir séries e afins. Às vezes é só modinha mesmo. E
nem tudo que é unânime é bom. Ou é. Depende dos olhos de quem vê.
Nesse hype de Riverdale,
La Casa de Papel, Sierra Burguess is a loser, Para todos os Garotos que já
amei, Os inocentes, American Horror Story, Elite tem coisas que
realmente despertam a nossa atenção e outras que podemos ficar sem ver, por que,
né? Não vai fazer a menor diferença. Ou você pode ser como eu e ser consumido
por uma curiosidade mórbida e se dispor a assistir.
E hoje eu assisti Riverdale e
comecei a assistir com os dois pés atrás. Já tinham me dito que era clichê, o
lance de um monte de jovenzinhos de uma cidadezinha correndo atrás do próprio
rabo com pano de fundo um crime, muito beijo, cenas quentes, garotas
padrão e o tal do Archie (KJ Apa) com
aquela tintura horrorosa e sem camisa sempre quando pode (desculpa gente), a
quantidade de canais de Youtubers que colocam o tempo todo o elenco, o que
fazem, o que vestem, o que comem, como respiram de modo perfeito...
Mas aí veio o teaser (instigante
no mínimo) de Chilling Adventures Of Sabrina que estreia no dia 26 de outubro
no Netflix, tem os mesmos
produtores de Riverdale e pertence ao mesmo universo da Archie Comics que eu
fui assistir.
E não, eu não me arrependi. A
série é muito bem feita. Na medida certa pra agradar mesmo. Pra ter fã. Pra ter
zilhares de pessoas comentando o primeiro episódio e o season finale e todo mundo pular de alegria quando anunciam a
terceira temporada.
Riverdale é essa gracinha mesmo.
Os personagens transitam tranquilos na trama fazendo com que a gente se afeiçoe
muito rápido e já escolha o seu preferido. O meu?
Eu fiquei morta de amores pela
bitch que está tentando ser good bitch, Veronica (Camila Mendes), mas também
gostei do Nancy Drew Meet O Médico e O Monstro de Betty Cooper (Lili Reinhart),
mas fiquei mexida com a coisa metade má metade sofrida de Cheryl Blossom
(Madelaine Pertsh). Esses personagens são, apesar de todo o clichê, muito bem construídos e abaixo de
todas as camadas do que já conhecemos existem coisas da idade muito bem
trabalhadas e inteligentes.
Aliás, temas
pesados são super, estão lá: os pais abusivos, os problemas de
escolher o futuro, de não ser o suficiente, as paixões e problemas. E os
assuntos são tratados de forma muito real e são incorporados trama enriquecendo
a série.
A série é adolescente mas trata
com seriedade essa fase da vida sem
deixar de lado os crushes, desilusões, intrigas e rivalidade que fazem parte
dessa fase da vida.
As locações são geralmente
espaços pequenos que dão aquela sensação
de chuva que se passa do lado de fora, o lugar com mais espaço é o drive in e
na cena em que é usado optam por fazer grandes takes, dos principais atores com os seus conflitos.
A série respeita quem for
assistir, não tem nada que já não tenhamos visto, mas vale o hype. É isto. Vale
sim. E o “quem matou e por que matou?” se encaixa perfeitamente nas subtramas
fazendo que as coisas que acontecem ao mesmo tempo não fiquem emboladas e sigam
o eixo da história central.
As atuações também são boas, os
atores estão bem dirigidos e acertando o tom. Procurando dar características
para se tornarem marcantes. A trilha sonora é incrível e o os figurinos de
Cheryl e Veronica são esplendorosos. Fora a fotografia que é bem bacana.
A lição que fica é que você só
vai saber se o hype vale a pena... Vendo. Só assim e só assim. E assistir sem
pré-julgamentos (isso serve pra mim inclusive), assistir por que de repente o
assunto te interessa e você pode descobrir mais alguma coisa para amar. Como eu
descobri.
O clima de mistério e personagens
problemáticas caíram no meu gosto me fazendo devorar a primeira temporada. Além
de debater os temas, algo que eu achei muito bom é que as meninas estão
diversas vezes se ajudando, aliás um episódio quando isso acontece é lindo.
Fora o filho gay que é aceito e não é o gay idiota estereotipado, o estranho
repudiado por todos... Essas diferenças trazem uma esperança que novas
produções tragam mais coisas fora do que é visto. Sabemos da dificuldade da
criação, mas um clichê se usado com inteligência, fazendo uso da realidade que temos hoje, conseguirá fazer o
que são obrigações dessas produções: divertir e informar.
Fica a dica aí pra quem está
lendo muito sobre mas ainda não teve coragem de clicar para ver. E se não
gostar, tá okay também, ninguém é obrigado a nada e isso não te faz hater.
É para isso que essa diversidade
de produções existem: para atender a diversidade de gostos.
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