domingo, 21 de outubro de 2018

Hype ou não hype? Eis a questão

O hype realmente é algo que divide opiniões: ou você fica doido para ver a razão do assunto ou te faz tomar birra e nem querer assistir.
Eu particularmente fico entre as duas opções acima. Tem coisa que eu acho que não vale nem a pena perder o pouco tempo que eu tenho para assistir séries e afins. Às vezes é só modinha mesmo. E nem tudo que é unânime é bom. Ou é. Depende dos olhos de quem vê.
Nesse hype de Riverdale, La Casa de Papel, Sierra Burguess is a loser, Para todos os Garotos que já amei, Os inocentes, American Horror Story, Elite tem coisas que realmente despertam a nossa atenção e outras que podemos ficar sem ver, por que, né? Não vai fazer a menor diferença. Ou você pode ser como eu e ser consumido por uma curiosidade mórbida e se dispor a assistir.
E hoje eu assisti Riverdale e comecei a assistir com os dois pés atrás. Já tinham me dito que era clichê, o lance de um monte de jovenzinhos de uma cidadezinha correndo atrás do próprio rabo com pano de fundo um crime, muito beijo, cenas quentes, garotas padrão  e o tal do Archie (KJ Apa) com aquela tintura horrorosa e sem camisa sempre quando pode (desculpa gente), a quantidade de canais de Youtubers que colocam o tempo todo o elenco, o que fazem, o que vestem, o que comem, como respiram de modo perfeito...
Mas aí veio o teaser (instigante no mínimo) de Chilling Adventures Of Sabrina que estreia no dia 26 de outubro no Netflix, tem os mesmos produtores de Riverdale e pertence ao mesmo universo da Archie Comics que eu fui assistir.
E não, eu não me arrependi. A série é muito bem feita. Na medida certa pra agradar mesmo. Pra ter fã. Pra ter zilhares de pessoas comentando o primeiro episódio e o season finale e todo mundo pular de alegria quando anunciam a terceira temporada.
Riverdale é essa gracinha mesmo. Os personagens transitam tranquilos na trama fazendo com que a gente se afeiçoe muito rápido e já escolha o seu preferido. O meu?
Eu fiquei morta de amores pela bitch que está tentando ser good bitch, Veronica (Camila Mendes), mas também gostei do Nancy Drew Meet O Médico e O Monstro de Betty Cooper (Lili Reinhart), mas fiquei mexida com a coisa metade má metade sofrida de Cheryl Blossom (Madelaine Pertsh). Esses personagens são, apesar de todo o clichê, muito bem construídos e abaixo de todas as camadas do que já conhecemos existem coisas da idade muito bem trabalhadas e inteligentes.
Aliás, temas pesados são super, estão lá: os pais abusivos, os problemas de escolher o futuro, de não ser o suficiente, as paixões e problemas. E os assuntos são tratados de forma muito real e são incorporados trama enriquecendo a série.
A série é adolescente mas trata com seriedade essa fase da vida  sem deixar de lado os crushes, desilusões, intrigas e rivalidade que fazem parte dessa fase da vida.
As locações são geralmente espaços pequenos que dão  aquela sensação de chuva que se passa do lado de fora, o lugar com mais espaço é o drive in e na cena em que é usado optam por fazer grandes takes, dos principais atores com os seus conflitos.
A série respeita quem for assistir, não tem nada que já não tenhamos visto, mas vale o hype. É isto. Vale sim. E o “quem matou e por que matou?” se encaixa perfeitamente nas subtramas fazendo que as coisas que acontecem ao mesmo tempo não fiquem emboladas e sigam o eixo da história central.
As atuações também são boas, os atores estão bem dirigidos e acertando o tom. Procurando dar características para se tornarem marcantes. A trilha sonora é incrível e o os figurinos de Cheryl e Veronica são esplendorosos. Fora a fotografia que é bem bacana.
A lição que fica é que você só vai saber se o hype vale a pena... Vendo. Só assim e só assim. E assistir sem pré-julgamentos (isso serve pra mim inclusive), assistir por que de repente o assunto te interessa e você pode descobrir mais alguma coisa para amar. Como eu descobri.
O clima de mistério e personagens problemáticas caíram no meu gosto me fazendo devorar a primeira temporada. Além de debater os temas, algo que eu achei muito bom é que as meninas estão diversas vezes se ajudando, aliás um episódio quando isso acontece é lindo. Fora o filho gay que é aceito e não é o gay idiota estereotipado, o estranho repudiado por todos... Essas diferenças trazem uma esperança que novas produções tragam mais coisas fora do que é visto. Sabemos da dificuldade da criação, mas um clichê se usado com inteligência, fazendo uso da realidade que temos hoje, conseguirá fazer o que são obrigações dessas produções: divertir e informar.
Fica a dica aí pra quem está lendo muito sobre mas ainda não teve coragem de clicar para ver. E se não gostar, tá okay também, ninguém é obrigado a nada e isso não te faz hater.
É para isso que essa diversidade de produções existem: para atender a diversidade de gostos.



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