sábado, 21 de julho de 2018

... Logo eu, que não acreditava em gatilhos emocionais


Eu achava que isso não existia e como todas as pessoas achava que era mais uma psicopalavra da moda, ainda mais que o que desencadeou isso foi a série 13 Reasons Why.
Na verdade, eu lia alguns blogs e dependendo do assunto, se no começo do texto tinha escrito “ALERTA DE GATILHO”, eu não entendia muito bem, até ir a fundo na pesquisa, pra poder compreender:
Gatilhos emocionais são criados após experiências negativas. Quando somos postos em uma posição semelhante a um evento traumático do passado, nossas emoções são desencadeadas e reações impensadas podem levar a acessos de raiva, ansiedade, quadros de depressão.
E geralmente esse alerta vinha antes de textos que falavam sobre estupros, violência doméstica, abandono... Enfim, GATILHO EMOCIONAL pode ser tudo. Para algumas pessoas pode parecer uma grande bobagem, dizer que “já passou”, mas não passou. Nunca passa. Só muito carinho, tratamento psicológico e o tempo cuidarão eternamente dessa ferida. Muitas vezes sugere-se acompanhamento de um profissional que receite algum medicamento.
 Em 13 ReasonsWhy, o livro que originou a série já tinha dado o que falar com assuntos como suicídio, bullying e assédio que há tempos existem, mas hoje com mais conhecimento conseguimos (às vezes) detectar melhor.
Para saber mais sobre a série fui conversar com pessoas que já haviam-na assistido e notei que além de me informarem mais sobre, as opiniões se dividiram: uns achavam que servia como forma de reconhecermos os sinais, uma forma da pessoa saber que está passando por aquela situação, outros acharam que aquilo só impulsionava as pessoas depressivas pois havia, segundo eles, acontecido uma glamorização do suicídio (e eu chocada com pessoas que acham bacana e exaltam bulimia e anorexia. Me lembro de ficar chocada que existiam grupos de meninas que se reuniam para falar sobre o assunto e davam nomes as doenças). Falou-se até que a série apoiava de certa forma o jogo Baleia Azul do qual se comentou muito primeiro nos grupos de família de Whatsapp e depois em todos os noticiários.
A verdade é que eu notei nas conversas que todos concordavam que o negócio ferra com a sua cabeça e seu espírito e te deixa de bad. Não é aquela bad de tristeza comum que você sente porque o personagem morreu, ou porque a série não acabou do jeito que você imaginava, ou porque na série aconteceu algo triste.
É porque o que aconteceu, já te aconteceu de certa forma ou de forma total e aquilo mexe com você.
Tem gente que abandona, eu particularmente não consegui largar Sharp Objects (Objetos Cortantes - Editoria Intrínseca). Lembro  de ter dado um “gás” na leitura, pois estou com muitas acumuladas e com esse negócio de saírem muitas adaptações de livros, eu prefiro ler antes de assistir, tô colocando esses na frente e a lista para ler só cresce, mas aí quando eu vi o quanto a Adora(mãe da protagonista no livro) tem as atitudes da minha mãe comigo... Ela é como minha  mãe, tão histérica quanto, tão preocupada com a reputação quanto, tão dominadora quanto...
Aliás, sem dar spoiler tem uma parte no livro (só assisti o primeiro episódio da série e estou esperando assistir ao segundo para poder fazer a resenha tanto do livro quanto da série) em que a protagonista vai  á cidade para poder fazer uma matéria sobre uma menina morta e outra desaparecida, em que ela está na igreja com a mãe e ela como repórter precisa falar com os cidadãos a respeito e a mãe dela na frente de todos a proíbe, diz que ela não pode e não vai fazer isso. E não é pelo lugar, ou pelas pessoas, por nada assim. Mas por ela, porque ELA NÃO QUERIA. E isso a deteve, como já deteve a mim tantas vezes. A Camille (a protagonista) tem 38 anos, não mora com a mãe faz tempo, mantém uma distância segura da família, mas quando esteve frente a frente com essa mãe, todo o domínio dela volta cerceando o que resta dessa mulher literalmente cheia de cicatrizes.
Eu me lembro de parar o livro e pensar em coisas que eu e Camille somos parecidas. E não estou falando só da mãe. A minha sorte é que nunca tive coragem de fazer nada contra mim fisicamente. Aprendi que você pode se ferir de várias formas.
Entrei de férias e retomei a leitura, e juro pra vocês, não consegui parar até acabar. Quantos livros que eu estava louca para saber o final, peguei para ler a noite na cama, no silêncio tranquilo da minha casa e não consegui ler nem três páginas direito.
Sei que com esse foi diferente: eu devorei as páginas restantes, sendo devorada por elas inclusive. Eu me via, ficava perturbada... Mas fui até o final.
Aliás, o final te dá duas pedradas.
Eu fiquei uns 20 minutos olhando pro teto pensando em como eu sobrevivi com um resto de sanidade mental para aguentar todo esse tempo e todo o tempo que eu ainda terei que aguentar.
Achei completamente justificável os surtos de qualquer pessoa, nessa ou em uma outra situação parecida.
Agradeci muito a Deus o entendimento para poder compreender essas coisas e poder me resguardar com o que eu tenho.
Mas Gillian Flynn me enlouquece assim desde Gone Girl (Garota Exemplar- Intrínseca) por que tanto o livro quanto o filme me deixaram chocada. Principalmente o livro que também foi lido em uma madrugada e eu fiquei muito, muito estarrecida mesmo.
Mas não estou dizendo que é certo. Não mesmo. Tá te ferindo, mas do que está te trazendo alegria? Tira da sua vida. Isso vale para tudo, fácil não é, mas vale o nosso esforço. Por que não tem razão de ser ficar passando por isso, sendo que você já passou sem ter escolha de dizer não, agora que você tem , opte por jogar esse fardo longe da sua vida, das suas coisas... De se deixar magoar todo novamente. Você merece todo respeito do mundo, e às vezes nossos interesses conflitam com nossa curiosidade. E de repente como pessoa que curte livros, séries, filmes etc. Você pode ter achado interessante, nada de mau nisso. Mau mesmo é continuar com algo que não vai lhe acrescentar nada. Porque essas coisas têm que nos somar algo, seja o que for.
Acredito que até produções ruins, tenham algo de bom para nós, mas não que nos façam mal. Isso é diferente.
Muitas das vezes estamos tão machucados que achamos que as feridas já curaram e somos fortes, mas acontece que assim como com a arma, alguém/ alguma coisa aperta o gatilho e somos atingidos em cheio por aquilo que já nos feriu.
Não ter medo de procurar ajuda, de dizer não ao que é tóxico para nós, aceitar que a tão falada superação só acontece quando realmente conseguimos superar, não pondo frases motivacionais nas redes sociais. Toda superação começa na sua mente e para ela são necessários tempo, carinho para consigo mesmo e respeito aos seus limites.
Respeite a si mesmo, sempre.

domingo, 15 de julho de 2018

A Estréia


Eu escrevo desde os sete anos. Sempre fui apaixonada. Acho que caí de amores pela escrita quando me toquei que amava ler e queria ser que nem Marcos Rey e Agatha Christie, meus primeiros amores na leitura. Eu queria porque queria ser como eles: ser tão impressionante e maravilhosa como eles.
Um dia só as redações da aula de Português não eram suficientes, a professora dava o número de linhas que tinha que escrever, pô! Eu era prolixa sem ao menos saber o que isso significava. Eu queria mais, eu queria poder falar de assuntos que os professores não pediam, eu queria falar de mim, dos meus amigos, dos meus pais, dos livros... sem número de linhas determinadas, sem ter tempo predeterminado poder escrever, tocar as pessoas como meus autores preferidos me tocavam.
eu escrevi um livro erótico/policial (isso antes dos 15. Precoce eu sei. E antes de 50 Tons de Cinza. Eu tenho vergonha). Lembro-me do nome das protagonistas: Ginger e Donna que, entre uma investigação e tiros em um beco escuro, davam altas trepadas muito loucas com seus companheiros de serviço no banheiro da Delegacia de Polícia (acho que isso foi quando eu comecei a ler  Sidney Sheldon, mas eu não vou ficar aqui culpando o Sheldão por eu ser pervertida desde a tenra idade). Eu sei que eu escrevia todos os dias, eu lembro de gastar muitas, muitas folhas de caderno. De não ter uma expressão numérica, mas os cadernos acabarem a olhos vistos, aliás olhos putíssimos da minha mãe que não entendia nada.
Eu terminava um[u1] , escrevia outro. Amava dar o que eu escrevia para as pessoas e ver a reação delas, ouvir "nossa, mas você escreve bem." Um pouco de ego com um outro tanto de amor foi me levando a continuar, sempre tinha alguma coisa pra dizer, pra pensar.
Como para todos, se tornar adolescente não foi fácil. Eu, ávida devoradora de livros, escritora egocêntrica compulsiva, parei. Simplesmente minhas visitas à biblioteca cessaram e passei a escrever menos linhas do que a professora pedia. 
Hoje não quero falar desse inferno que foi a minha adolescência: peitos de porn star, meus pais se separando, apaixonada por meninos que puramente me ignoravam, uma mãe que não sabia o que fazer e como me orientar com um corpo mudando, enquanto passava pelo processo de separação, a aluna nota 10 que virou a aluna que todo ano ficava de recuperação em Matemática... Enfim, foi um merdelê só e eu parei de ler. Não, não me entreguei às drogas como o protagonista do Livro Estudante, que se lançado na época de hoje, seria qualificado como modinha. Eu pura e simplesmente parei com aquilo e fui procurar sutiã reforçado, calças com numeração maiores, parar de usar trança e usar absorvente.
Mas , quando comecei a trabalhar em um telemensagem, uma amiga estava lendo... Crepúsculo. Eu fiquei curiosa pq ela ficava falando "ai meu Deus, como ele é lindo, como ele é doce, como ele aquilo, como ele isso". Curiosa que sou não aguentei, peguei o raio do livro e embarquei para Forks e como Bella  me apaixonei pelo leão . Se você espera que eu faça aqui um parêntese em que falo mal de Crepúsculo, perdeu seu tempo. Sou apaixonada até hoje. Se passa na TV eu vejo, até hoje não me decidi se sou Team Edward ou Team Jacob, gritei and chorei com aquele final falso, as partes de Renesmee com Jacob são minhas prediletas, fiquei muito puta com a Bella quando aquela vadia sentou na floresta pra chorar em Lua Nova, mais puta ainda dela querendo se matar e colocar o Jacob em seu círculo de confusão e burrice. Por que sim, ela é idiota. Sonsa. E o que eu conheço do feminismo hoje me esclarece que Crepúsculo é um filme muito, muito machista, que emburrece, mas não vou falar mal. Talvez seja apego emocional, talvez seja que no fundo no fundo eu queria que um cara com super poderes me protegesse (depois eu descobri que eu queria ter super poderes. Sou Marvete, mas meu herói predileto é o Batman. Das coisas confusas que vocês vão ver por aqui. Eu prefiro Crepúsculo que a Cabana que li na mesma época.
Outra coisa que decidi com  muita firmeza é meu estilo literário: passeei pelos dramas, autoajuda,  romances...  Quando aprendi que podia ler o que eu quisesse, não o que queriam, foi libertador. Sou reticente a isso até hoje. Até então tinha deixado a escrita pra trás. Ela não tinha conseguido recuperar... Mas eu comecei a andar com um povo nerd, assistir uns filmes e ler críticos de cinema, e vi que eu queria fazer aquilo: emitir opiniões, comentar detalhes como eles faziam, certos críticos tinham  esse efeito Agatha Christie em mim; me inspiram, me dão vontade de escrever, os pensamentos fervem, preciso colocar isso diante dos meus olhos com palavras. 
De tanto trelelê em um grupo de whatsapp de Star Wars e não ter medo de expor minhas opiniões contrárias (muitos dirão que sou hater, muitos dirão que é pra causar, mas sempre digo que é minha opinião. E me policio muito pra não virar discurso de ódio), uma página de conteúdo nerd me chamou para escrever pra eles. Os três meses mais felizes da minha vida.... A página foi morrendo por que ninguém conseguiu viver disso e todo mundo precisava correr atrás do seu, foi todo mundo ficando sem tempo. Eu fiquei.
Fiquei escrevendo uns textões no face. No whats. Na vida. Reprimida algumas vezes, chata outras. Não lida muitas. Mas aquele desejo de expressão latente no meu coração.
E aqui lá vou eu de novo... Se bem que já estou em funcionamento com minhas críticas no Cafeína Visceral (dá uma passadinha lá pra conhecer) mas aqui eu quero por tudo, esse cosmo que habita em mim de tudo que o humano é feito. Colocar aqui as minhas inspirações e amores, conversar com as palavras, já que todo mundo tem uma opinião desde o meu cabelo até o que eu faço, eu grito EIS ME AQUI, e me ponho toda a serviço da minha negra cabeça.
Estou aqui, num domingo, antes das minhas férias, com esse blog recém-nascido e cheia de coisas pra contar. Eu só queria me por em algum lugar, já que sinto que tenho tanto de tantas coisas em mim. De tudo que eu li, escrevi, passei... Acho que como todo mundo, né? Somos formados daquilo que vimos e vivemos, das estradas  que percorremos.
Aqui vai ser o lugar aonde vou expor isso tudo.
Mais um caminho.
Mais uma experiência pro futuro.