Eu escrevo desde os sete anos. Sempre fui apaixonada. Acho
que caí de amores pela escrita quando me toquei que amava ler e queria ser que
nem Marcos Rey e Agatha Christie, meus primeiros amores na leitura. Eu queria porque
queria ser como eles: ser tão impressionante e maravilhosa como eles.
Um dia só as redações da aula de Português não eram
suficientes, a professora dava o número de linhas que tinha que escrever, pô!
Eu era prolixa sem ao menos saber o que isso significava. Eu queria mais, eu
queria poder falar de assuntos que os professores não pediam, eu queria falar
de mim, dos meus amigos, dos meus pais, dos livros... sem número de linhas determinadas, sem ter tempo predeterminado
poder escrever, tocar as pessoas como meus autores preferidos me tocavam.
Aí
eu escrevi um livro erótico/policial (isso antes dos
15. Precoce eu sei. E antes de 50 Tons de Cinza. Eu tenho vergonha). Lembro-me do nome das protagonistas: Ginger e Donna que, entre uma investigação e tiros
em um beco escuro, davam altas trepadas muito loucas com seus companheiros de
serviço no banheiro da Delegacia de Polícia (acho que isso foi quando eu comecei
a ler Sidney Sheldon, mas eu não vou ficar aqui culpando o Sheldão por eu
ser pervertida desde a tenra idade). Eu sei que eu escrevia todos os dias, eu
lembro de gastar muitas, muitas folhas de caderno. De não ter uma expressão
numérica, mas os cadernos acabarem a olhos vistos, aliás olhos putíssimos da
minha mãe que não entendia nada.
Eu terminava um[u1] , escrevia outro. Amava dar o que eu escrevia para
as pessoas e ver a reação delas, ouvir "nossa,
mas você escreve bem." Um pouco de ego com um outro tanto de amor foi me
levando a continuar, sempre tinha alguma coisa pra dizer, pra pensar.
Como para todos, se tornar adolescente não foi fácil. Eu,
ávida devoradora de livros, escritora egocêntrica compulsiva, parei. Simplesmente
minhas visitas à biblioteca
cessaram e passei a escrever menos linhas do que a professora pedia.
Hoje não quero falar desse inferno que foi a minha
adolescência: peitos de porn star,
meus pais se separando, apaixonada por meninos que puramente me ignoravam, uma
mãe que não sabia o que fazer e como me orientar com um corpo mudando, enquanto passava pelo processo
de separação, a aluna nota 10 que virou a aluna que todo ano ficava de
recuperação em Matemática... Enfim, foi um
merdelê só e eu parei de ler. Não, não me entreguei às drogas como o protagonista
do Livro Estudante, que se lançado na época de hoje, seria qualificado como
modinha. Eu pura e simplesmente parei com aquilo e fui procurar sutiã
reforçado, calças com numeração maiores, parar de usar trança e usar
absorvente.
Mas aí, quando comecei a
trabalhar em um telemensagem, uma amiga estava lendo... Crepúsculo. Eu fiquei
curiosa pq ela ficava falando "ai meu Deus, como ele é lindo, como ele é doce, como ele aquilo, como
ele isso". Curiosa que sou não aguentei, peguei o raio do livro e
embarquei para Forks e como Bella me
apaixonei pelo leão . Se você espera que eu faça aqui um parêntese em que falo mal de Crepúsculo, perdeu seu tempo. Sou
apaixonada até hoje. Se passa na TV eu vejo, até hoje não me decidi se sou Team
Edward ou Team Jacob, gritei and chorei com aquele final falso, as partes de
Renesmee com Jacob são minhas prediletas,
fiquei muito puta com a Bella quando aquela vadia sentou na floresta pra chorar
em Lua Nova, mais puta ainda dela querendo se matar e colocar o Jacob em seu círculo de
confusão e burrice. Por que sim, ela é idiota. Sonsa. E o que eu conheço do
feminismo hoje me esclarece que Crepúsculo é
um filme muito, muito machista, que emburrece, mas não vou falar mal. Talvez seja apego
emocional, talvez seja que no fundo no fundo eu queria que um cara com super
poderes me protegesse (depois eu descobri que eu queria ter super poderes. Sou
Marvete, mas meu herói predileto é o Batman.
Das coisas confusas que vocês vão ver por aqui. Eu prefiro Crepúsculo que a
Cabana que li na mesma época.
Outra coisa que decidi com muita firmeza é meu estilo
literário: passeei pelos dramas, autoajuda, romances... Quando aprendi que podia ler
o que eu quisesse, não o que queriam, foi libertador. Sou reticente a isso até
hoje. Até então tinha deixado a escrita pra trás. Ela não tinha conseguido
recuperar... Mas aí eu comecei a andar com um povo nerd, assistir uns filmes e
ler críticos
de cinema, e vi que eu queria fazer aquilo: emitir opiniões, comentar detalhes como eles faziam, certos críticos tinham
esse efeito Agatha Christie em mim; me
inspiram, me dão vontade de escrever, os pensamentos
fervem, preciso colocar isso diante dos meus olhos com palavras.
De tanto trelelê em um grupo de whatsapp de Star Wars e não
ter medo de expor minhas opiniões contrárias (muitos dirão que sou hater,
muitos dirão que é pra causar, mas sempre digo que é minha opinião. E me
policio muito pra não virar discurso de ódio), uma página de conteúdo nerd me chamou para escrever pra
eles. Os três meses mais felizes da minha vida.... A página foi morrendo
por que ninguém conseguiu viver disso e todo mundo precisava correr atrás do
seu, aí foi
todo mundo ficando sem tempo. Eu fiquei.
Fiquei escrevendo uns textões no face. No whats. Na vida.
Reprimida algumas vezes, chata outras. Não lida muitas. Mas aquele desejo de
expressão latente no meu coração.
Estou aqui, num domingo, antes das minhas férias, com esse
blog recém-nascido e cheia de coisas pra contar. Eu só queria me por
em algum lugar, já que sinto que tenho tanto de tantas coisas em mim. De tudo que eu li, escrevi, passei... Acho que como todo mundo, né? Somos formados daquilo que
vimos e vivemos, das estradas que
percorremos.
Aqui vai ser o lugar aonde vou expor isso tudo.
Mais um caminho.
Mais uma experiência pro
futuro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário