domingo, 15 de julho de 2018

A Estréia


Eu escrevo desde os sete anos. Sempre fui apaixonada. Acho que caí de amores pela escrita quando me toquei que amava ler e queria ser que nem Marcos Rey e Agatha Christie, meus primeiros amores na leitura. Eu queria porque queria ser como eles: ser tão impressionante e maravilhosa como eles.
Um dia só as redações da aula de Português não eram suficientes, a professora dava o número de linhas que tinha que escrever, pô! Eu era prolixa sem ao menos saber o que isso significava. Eu queria mais, eu queria poder falar de assuntos que os professores não pediam, eu queria falar de mim, dos meus amigos, dos meus pais, dos livros... sem número de linhas determinadas, sem ter tempo predeterminado poder escrever, tocar as pessoas como meus autores preferidos me tocavam.
eu escrevi um livro erótico/policial (isso antes dos 15. Precoce eu sei. E antes de 50 Tons de Cinza. Eu tenho vergonha). Lembro-me do nome das protagonistas: Ginger e Donna que, entre uma investigação e tiros em um beco escuro, davam altas trepadas muito loucas com seus companheiros de serviço no banheiro da Delegacia de Polícia (acho que isso foi quando eu comecei a ler  Sidney Sheldon, mas eu não vou ficar aqui culpando o Sheldão por eu ser pervertida desde a tenra idade). Eu sei que eu escrevia todos os dias, eu lembro de gastar muitas, muitas folhas de caderno. De não ter uma expressão numérica, mas os cadernos acabarem a olhos vistos, aliás olhos putíssimos da minha mãe que não entendia nada.
Eu terminava um[u1] , escrevia outro. Amava dar o que eu escrevia para as pessoas e ver a reação delas, ouvir "nossa, mas você escreve bem." Um pouco de ego com um outro tanto de amor foi me levando a continuar, sempre tinha alguma coisa pra dizer, pra pensar.
Como para todos, se tornar adolescente não foi fácil. Eu, ávida devoradora de livros, escritora egocêntrica compulsiva, parei. Simplesmente minhas visitas à biblioteca cessaram e passei a escrever menos linhas do que a professora pedia. 
Hoje não quero falar desse inferno que foi a minha adolescência: peitos de porn star, meus pais se separando, apaixonada por meninos que puramente me ignoravam, uma mãe que não sabia o que fazer e como me orientar com um corpo mudando, enquanto passava pelo processo de separação, a aluna nota 10 que virou a aluna que todo ano ficava de recuperação em Matemática... Enfim, foi um merdelê só e eu parei de ler. Não, não me entreguei às drogas como o protagonista do Livro Estudante, que se lançado na época de hoje, seria qualificado como modinha. Eu pura e simplesmente parei com aquilo e fui procurar sutiã reforçado, calças com numeração maiores, parar de usar trança e usar absorvente.
Mas , quando comecei a trabalhar em um telemensagem, uma amiga estava lendo... Crepúsculo. Eu fiquei curiosa pq ela ficava falando "ai meu Deus, como ele é lindo, como ele é doce, como ele aquilo, como ele isso". Curiosa que sou não aguentei, peguei o raio do livro e embarquei para Forks e como Bella  me apaixonei pelo leão . Se você espera que eu faça aqui um parêntese em que falo mal de Crepúsculo, perdeu seu tempo. Sou apaixonada até hoje. Se passa na TV eu vejo, até hoje não me decidi se sou Team Edward ou Team Jacob, gritei and chorei com aquele final falso, as partes de Renesmee com Jacob são minhas prediletas, fiquei muito puta com a Bella quando aquela vadia sentou na floresta pra chorar em Lua Nova, mais puta ainda dela querendo se matar e colocar o Jacob em seu círculo de confusão e burrice. Por que sim, ela é idiota. Sonsa. E o que eu conheço do feminismo hoje me esclarece que Crepúsculo é um filme muito, muito machista, que emburrece, mas não vou falar mal. Talvez seja apego emocional, talvez seja que no fundo no fundo eu queria que um cara com super poderes me protegesse (depois eu descobri que eu queria ter super poderes. Sou Marvete, mas meu herói predileto é o Batman. Das coisas confusas que vocês vão ver por aqui. Eu prefiro Crepúsculo que a Cabana que li na mesma época.
Outra coisa que decidi com  muita firmeza é meu estilo literário: passeei pelos dramas, autoajuda,  romances...  Quando aprendi que podia ler o que eu quisesse, não o que queriam, foi libertador. Sou reticente a isso até hoje. Até então tinha deixado a escrita pra trás. Ela não tinha conseguido recuperar... Mas eu comecei a andar com um povo nerd, assistir uns filmes e ler críticos de cinema, e vi que eu queria fazer aquilo: emitir opiniões, comentar detalhes como eles faziam, certos críticos tinham  esse efeito Agatha Christie em mim; me inspiram, me dão vontade de escrever, os pensamentos fervem, preciso colocar isso diante dos meus olhos com palavras. 
De tanto trelelê em um grupo de whatsapp de Star Wars e não ter medo de expor minhas opiniões contrárias (muitos dirão que sou hater, muitos dirão que é pra causar, mas sempre digo que é minha opinião. E me policio muito pra não virar discurso de ódio), uma página de conteúdo nerd me chamou para escrever pra eles. Os três meses mais felizes da minha vida.... A página foi morrendo por que ninguém conseguiu viver disso e todo mundo precisava correr atrás do seu, foi todo mundo ficando sem tempo. Eu fiquei.
Fiquei escrevendo uns textões no face. No whats. Na vida. Reprimida algumas vezes, chata outras. Não lida muitas. Mas aquele desejo de expressão latente no meu coração.
E aqui lá vou eu de novo... Se bem que já estou em funcionamento com minhas críticas no Cafeína Visceral (dá uma passadinha lá pra conhecer) mas aqui eu quero por tudo, esse cosmo que habita em mim de tudo que o humano é feito. Colocar aqui as minhas inspirações e amores, conversar com as palavras, já que todo mundo tem uma opinião desde o meu cabelo até o que eu faço, eu grito EIS ME AQUI, e me ponho toda a serviço da minha negra cabeça.
Estou aqui, num domingo, antes das minhas férias, com esse blog recém-nascido e cheia de coisas pra contar. Eu só queria me por em algum lugar, já que sinto que tenho tanto de tantas coisas em mim. De tudo que eu li, escrevi, passei... Acho que como todo mundo, né? Somos formados daquilo que vimos e vivemos, das estradas  que percorremos.
Aqui vai ser o lugar aonde vou expor isso tudo.
Mais um caminho.
Mais uma experiência pro futuro.




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