Gran Finale- Sharp Objects
É aquele negócio né, nunca a
série ou filme vai ficar igual ao livro. Mas Sharp Objects, se saiu muito bem
em todos os sentidos. O ritmo da trama se manteve no clima do livro com o
auxílio de um elenco harmonioso com seus personagens inclusive com os cenários.
As roupas de Adora, impecáveis em
tons claros contrasta com as roupas de Camille já desgastadas e em tons escuros
que parecem ter saídas de algum buraco, e as roupas da vida dupla de Amma, que
alterna em ser uma cópia de Adora tão
louca e obsessiva quanto, e na rua uma
little bitch de marca maior., E é numa
dessas acompanhando as irmãs que chegamos ao clímax na série, aquele momento
que toda a verdade será revelada e as crueldades de Adora, se tornam algo real e que vem lá de trás do
relacionamento que ela tinha com a mãe.
Na série optaram por omitir o
fato que o casamento de Adora foi armado, pois ela era mãe
solteira e inseriram tanto quanto subentendido
que acontece algo, ou o é só da parte do Xerife Bill Vickery ou apenas Adora
que controla tudo e todos na cidade, inclusive as pessoas que merecem ou não atenção
na cidade. Ela está em todos os lugares, é a figura regente na cidade. Após
conversa com a melhor amiga da mãe, a ébria Jackie O’neill ( Elizabeth Perkins),
as suspeitas de Camille a respeito de Adora se tornam cada vez mais menos
suspeitas.
Tudo se concretiza quando depois
de uma festança regada a drogas as duas chegam em casa e Adora se prontifica a
cuidar da sua prole com todo amor e carinho que lhe é característico.
Muito xarope, muita lavação de
roupa suja, uns puxões de cabelo e aquelas declarações mordazes a uma Camille
completamente dopada na cama.
Aí parece que a coisa meio que acelera demais, diversos
acontecimentos do livro que enriqueceriam ainda mais a trama não são
mencionados. Essa aceleração acaba meio
que apagando o brilho do final que é tão incrível. Quando a série meio que recomeça, as coisas parecem ter sido
colocadas ali de forma muito subjetiva, quase como para se descobrir sozinho
pelo telespectador, o que não é de todo ruim, para quem não leu o livro é uma big surpresa e talvez não fique tão ruim, mas para quem leu, fica a sensação de que faltou algo, faltou um final
com mais diálogo, mais ações. Ficou meio que vazio aquelas cenas desfocadas, a idéia
de misturar o presente com o passado é
ótima mas poderia ter escolhido um momento para cada uma.
É como um vídeo clipe que tem
momento certo para acabar e dar a sua mensagem. Talvez tenha sido o jeito de
mostrar que a história não tinha acabado com o fim.
Terminamos meio atropelados como
Camille, ouvindo seus pensamentos confusos entre a nova responsabilidade e a
descoberta.
A cena pós créditos, recurso que
a maioria dos filmes já usa, na série é uma grande sacada que apesar do corre
corre do término, é super bem usado e dá aquele impacto que nos deixa de queixo
caído com tudo aquilo que passou por nossos olhos e a ficamos ali com aquela
revelação.
A série é incrível... Muito bem
adaptada, apesar desse final que ficou meio fora do compasso do resto, tem uma
direção muito eficiente de Jean-Marc Vallé (Big Little Lies). A história é
muito mais que “quem matou” – isso é
superado todo o tempo.
Sharp Objects é como toda obra de
Gillian Flynn, sobre o humano. Sobre mulheres quebradas em sua vida, que levam
isso em suas rotinas, que vão de encontro às consequências de suas omissões,
loucuras, amor, egocentrismo, dor, o que for. A autora fala ao centro do
universo feminino quando deixa que suas personagens serem o que elas querem,
sentir o que elas realmente estão sentindo. Elas são o que são. Camille é na
pele o que ela é por dentro, tão forte para ir à cidade natal, mas fraca para
ter medo da mãe e amar a irmã e ter medo de ir pra cama com um cara, enfim,
Camille é a reunião de todas as mulheres que existem em nós em momentos da
nossa vida.
Uma obra forte e interessante,
Sharp Objects valeu cada episódio.
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