domingo, 21 de outubro de 2018

Quando uma questão de empatia transcendeu a política em uma eleição


Se você é brasileiro e não foi buscar água em Marte está sabendo do assunto mais comentado do nosso país: as eleições. O negócio foi tão “brabo”, o pessoal está postando tanto nas redes sociais, que nem colocar fotinha de quando era criança o povo lembrou. Nem rolou aquele lance de ficar perdido sem saber quem é porque mudaram a foto.
A discussão está acirradíssima. As falácias pesadíssimas. Fake News e informações disputam com o  Facebook  o almoço de domingo, é a grande hashtag do momento. Tem gente que já está contabilizando os amigos e parentes que perderão até o Natal e já estão procurando quem resta para passar as festas de fim de ano.
O negócio é sério. É mais que uma hashtag. É o futuro de uma nação inteira, são nossas vidas, nossos amigos, nossa liberdade. Essa eleição transcendeu a política. Ainda é política, mas é de caráter moral. É uma eleição de votos estratégicos, que não adianta votar por afinidade política, é um voto que é secreto, mas não é individual. É um voto que dependendo como for é egoísta, assassino, preconceituoso e violento.
No domingo quando foi decidido o primeiro,  turno estava com meus amigos e meu namorado nos divertindo até o momento do anúncio dos candidatos que iriam para a disputa do próximo turno. Eu fiquei pretrificada com o resultado. Estava jogando The Godfather, um jogo que eu estava louca para jogar há séculos, mas quando eu vi que aquele senhor estava perto, aliás muito mais perto de ser nosso presidente, contra o PT que é o partido com a maior coleção de haters do país... Eu fiquei muito desesperada. Porque tudo eu conheço e amo vai sumir. Vai virar histórias contada por sobreviventes nas estradas ou vestígios que deixarem passar.
Até eu me pergunto às vezes se não estou sendo dramática demais, mas as coisas que ouvimos falar desse regime, as coisas que vimos nas escolas, os filmes, os livros e os depoimentos de pessoas que viveram essa época não podem deixar margem de dúvida de o quanto vai ser prejudicial para alguns grupos de pessoas quando isso acontecer.
Pessoas que eu nunca imaginei concordarem com as ideias daquele senhor o estão apoiando e eu fico muito sentida porque eram pessoas que eu tinha em mais alta conta e sempre admirei e não esperava que essa violência pregada por ele, embalada como transformar o Brasil, conseguisse atingir tantas pessoas.
Eu entendo. A gente tá passando por um merdelê enorme em nosso país e as pessoas estão cansadas de todo dia um roubo diferente na mídia feito por quem deveria nos representar. As pessoas estão cansadas de mentiras embutidas em planos de governos de partidos que roubam para si e para os outros.
Por isso esse repúdio ao PT. Eu particularmente não consigo defender o PT, mas agora é a hora de pensarmos no coletivo. Como temos lido nas redes de alguns: “se a gente votar no PT tem como irmos as ruas e fazer protesto, num governo fascista isso não será possível”. Eu sei que o PT cagou muitas coisas, mas por outro lado também acho que fez ótimas coisas. Provado. O que não pode nos cegar é trocar algo ruim pelo péssimo, ter nossa liberdade cerceada por um militar que acredita que se der uma porrada, tudo se transforma.
É porrada que você quer?
Viver com medo, sair com medo. Ser refém dele. Desculpa se eu estou sendo radical, mas quem apoia esse homem, que como dizem tem sido vítima de uma mídia suja que distorce tudo que ele diz, deve estar em dia com o padrão que ele diz defender. Se bem que eu acho que no final, até seus asseclas, sofrerão as consequências.
Quando eu vejo um nerd apoiando esse cara me dói, por que ele assistiu tantas coisas desse universo que são revolucionárias que prezam pela liberdade e não é possível que não aprenderam nada!
Será que eles pensam mesmo que um cara como aquele que trata negros como animais vai respeitar quem se veste de um personagem que nem existe? Eu tento entender mas isso vai além da minha compreensão e parecem estar todos sob uma hipnose fortíssima em que Fake News são verdades absolutas e grupos de whatsapp são a fonte mais confiável do mundo.
Amigos meus estão dizendo que quem vota nesse  homem tem um desvio de caráter muito grande, eu ainda não quero pensar assim quero ainda acreditar que nessa fé cega por um salvador da pátria as pessoas estejam se afastando do que é verdade , quero pensar que eles estão querendo o tal “meu partido é o Brasil” e não querem ver o que tá rolando e estão justificando o que ele fala como a última chance do Brasil melhorar. Mas eu confesso que já estou ficando p*** da vida. Já exclui alguns, e olha que eu já disse que cortar amizade não, mas avaliar as atitudes dessas pessoas sim Por que esse voto fala muito sobre os reais pensamentos desse alguém. Tem muita gente que fiquei com pé atrás. Fora o povo que quer causar e vive bostejando sobre esse senhor. Pior são aqueles que desmereceram os ataques ocorridos com algumas pessoas, alguns disseram que “nossa como de repente começaram os ataques né” ou “ a violência nunca existiu, começou tudo agora”.
A violência sempre existiu, sempre contra essas pessoas então é algo infelizmente rotineiro, mas quando um presidenciável legitima isso e diz que isso vai ser um dos modos como ele vai governar o país, essa violência ganha força e passe livre para acontecer.
“Ah, mas não é ele que está violentando as pessoas”.
“Ele não tem culpa”.
“Quando chegar lá ele não vai poder fazer nada, por que com certeza o senado não vai apoiá-lo”.
É o eleitorado dele que está fomentando isso, aos gritos de seu nome, dizendo que quando ele for eleito será possível fazer todas essas coisas, e ele tem culpa sim. Toda vez que ele fez aquele sinalzinho dos dedos com a arma, ele faz com que mais pessoas se sintam livres para fazer o que quiser com quem não lhes agrada.
E eu quero muito, muito acreditar nisso de que quando ele chegar lá o senado não vai lhe dar ouvidos. Mas dentro do meu coração eu acho super possível que o senado acate cada ordem achando que já foram permissivos demais com os brasileiros. Liberdade pra pensar demais, saca?
A questão não é mais política, é humana, é sobre vida ou morte. É sobre estarmos na rua e ser abordado por um exército que vai nos vigiar e nos limitar.
Deixando claro aqui que é a disputa entre ruim e o pior. O famoso se ficar o bicho pega, se correr o bicho come, não queria ter que votar entre nenhum dos dois. Nenhum dos dois me representa. Mas hoje, pela nossa integridade e de quem amamos é necessário tomar uma posição direta a nossos direitos.
Tempos tenebrosos nos aguardam e eu sei que terei de ser resistência, mas estou com medo, muito mesmo. Domingo estava com amigos queridos e pensei que tudo aquilo poderia acabar e ser só uma lembrança enquanto todos sofreremos em novos porões da velha ditadura.
Eu decidi lutar, fazer uma militância, no face, no insta, nos meus textos. Defender o que eu acredito sem me render. Inclusive contra o PT por que se o senhor Haddad chegar vitorioso ao fim desse episódio horrível de Black Mirror Brazil Edition eu vou cobrar dele, afinal políticos são nossos empregados e nos devem conta de tudo. Se possíveis já pagas.
Eu não vou aceitar nenhum tipo de reprimenda ou deboche com esse assunto tão sério. Estou tentando não ser extremista, mas está difícil. E também não quero os que são contra esse senhor sendo extremistas. Se defendam, defendam o que acreditam. Sejam resistência como puderem, com quem quiser ouvir.
Sejamos resistência. Mudaremos o mundo com coragem e amor

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