domingo, 2 de dezembro de 2018

Sob a Luz dos Sete para Ler


Você encontra informações sobre Game Of thrones no mundo internet de todas as formas: podcats, site, fóruns, grupos... Enfim, é muita gente pensando, torcendo, teorizando, vivendo essa série que é sucesso mundial lançada em 2017.
E foi arrebatador – como disseram aqueles que já conheciam os livros, desde lá  em 1996 quando o primeiro foi lançado.
Eu resolvi ler os livros quando falaram sobre aquela diferença entre série e livro, mas confesso que demorei. Fiquei protelando o quanto podia, até que a curiosidade foi mais forte e me vi lendo o Game Of Thrones e ficando impressionada com o calhamaço que é (só de livros publicados são 4228 fucking páginas). Mas fui lá, abençoada pela Mãe, comecei e fui indo e percebi que Martin é detalhista ao extremo: uma subida ao Ninho da águia, sede da casa Arryn, lar de Lysa Arryn e Robert Arryn leva umas 3, 5 páginas com descrições  em detalhes da caminhada, até da forma como o casco do burro bate na terra fofa ao subir. Pois é gente, é uma riqueza de detalhes, nomes repetidos, uns nomes com mais consoantes que vogais, fora os que se repetem.  Sem contar as  tramas e subtramas com tudo isso aí e você tendo que lembrar quando, onde e como.
Não é uma leitura das mais fáceis, vocabulário rebuscado e muita coisa ao mesmo tempo. O segundo, lançado em 1998, a Fúria de Reis eu li mais rápido, mas meio que passou batido. O terceiro, Tormenta de Espadas, lançado em 2000 (note aí um intervalo de 2 anos entre esse e o outro) e suas quase novecentas páginas incríveis. E levei um tempão também, não nego.
Mas eu empaquei mesmo no Festim dos Corvos lançado em 2005, eu levei... Um ano para ler o livro. Sim, eu sei, SHAME! SHAME! SHAME!
Estava toda enrolada com todas as leituras, meio sem ânimo, totalmente com preguiça.
Eu leio dois livros ao mesmo tempo, respeito o meu ritmo, eu já sou lerda, se colocar mais eu levo dois invernos em Westeros pra acabar. Mas confesso que nesse eu me superei. Estava meio brocha com as coisas que eu gostava, dentre as quais a leitura e fui deixando pra lá.
Tirei férias esse ano e coloquei como meta, terminar a leitura. Fui avançando mas a leitura como disse acima é confusa, cheia de entremeios e não aparecem os principais: Jon, Tyrion e Daenerys. Lembrando que esse livro primeiramente foi apresentado por George Martin a editora com 1527 páginas e declarado impublicável, aí ele teve a ideia de dividi-lo em dois. Só que apareceu uma ideia melhor ainda, dividi-lo geograficamente: o primeiro se passa no Sul, o segundo em Essos e as histórias acontecem simultaneamente. Nesse sentido eu não liguei muito que os ditos grandes nomes da série não estivessem ali, porque eu tenho verdadeira paixão pela dupla Jamie e Cersei. E depois da drástica mudança de caráter de Jamie no livro anterior, minha admiração pelo cara só aumenta, mesmo ele continuando um pouco escravoceta , mas começam a brilhar algumas mudanças nesse personagem.
Ouvi que esse era o livro da Cersei. E é. A personagem está mais visceral que nunca, quase enlouquecida pela sede de poder. Cega para qualquer coisa que não seja ascender ao trono através do filho que segundo ela está protegendo. A profecia de Maggy:
- Podeis fazer três perguntas - disse a velha, depois a sua bebida. - Não ireis gostar das minhas respostas. Perguntai, senão fora convosco.
Vai, pensou a rainha que sonhava, controla a língua e foge. Mas a rapariga não tinha suficiente bom senso para sentir medo.
- Quando é que me caso com o príncipe? - perguntou.
- Nunca. Casareis com o rei.
Sob os seus caracóis dourados, o rosto da rapariga enrugou-se de perplexidade. Durante anos, depois daquilo, pensou que aquelas palavras queriam dizer que não casaria com Rhaegar até depois do pai, Aerys, ter morrido. 
- Mas vou ser rainha? - perguntou o seu eu mais novo.
- Sim. - A malícia cintilou nos olhos amarelos de Maggy. - Rainha sereis... até chegar uma outra, mais nova e mais bela, para vos derrubar e roubar todo aquilo que vos for querido. 
A ira relampejou na cara da criança.
- Se ela tentar, mando o meu irmão matá-la - Nem mesmo então parou, sendo como era uma criança obstinada. Ainda lhe era devida mais uma pergunta, mais um vislumbre da vida que a esperava. - O rei e eu teremos filhos? - perguntou.
- Oh, sim. Ele dezesseis, e vós três. 
Aquilo não fazia sentido para Cersei. O polegar latejava onde o cortara, e o seu sangue pingava no tapete. Como pode ser isso?, quis perguntar, mas já não tinha mais perguntas.
Porém, a velha ainda não terminara com ela.
- De ouro serão as suas coroas e de ouro as mortalhas - disse.
E essa profecia dispara o estado de alerta da rainha que começa a se livrar de todos a sua volta mantendo o rei Tommen perto de si para que tenha poder.
O crescimento de Jamie na história é maravilhoso. De um pau mandado da irmã vemos aquele cara que salvou Brienne do urso e perdeu a mão indo de encontro a si mesmo, seus valores, dando até atenção até a seus filhos.
Brienne tem tanta coisa nos livros! Ela é o fio condutor da ação e seguindo com sua promessa de achar Sansa que foi feita a Catleyn Stark ela vaga por campos perigosos com homens que sobraram da guerra e seguem sem um rei ou ordem destruindo tudo e todos em seu caminho.
Arya Stark e a Casa dos Homens sem rosto satisfaz muito mais nos livros, do que na série. Ela está lá se preparando para “fazer” aquela lista que a acompanha, mesmo que tenha deixado de ser Arya, para ser Ninguém.
Mas o grande diferencial mesmo é a presença de Lady Stoneheart, isto é o que sobrou de Catelyn Stark depois do casamento vermelho em que foi jogada e ficou três dias no rio. Quando foi encontrada pela Irmandade que inicialmente lutava pelos Lannisters em nome do rei Robert, Beric Dondarion a encontram mas como havia se passado muito tempo, Beric doa sua última vida (ele só pode ressuscitar 7 vezes).
O que ressurge não é nem Catelyn, a pele machucada e as marcas de unha feitas no próprio rosto por ela em desespero ao ver o filho morto permanecem, além do corte de “orelha a orelha” feito pelos Frey e para tornar tudo mais aterrorizante (ou interessante) ela não fala apenas alguns sussurros quando tampa a garganta.
Quando eu li essa parte, pensei o quanto isso ficaria foda na série. O quanto seria fantástico ter ali algum tipo de vingança pelo casamento vermelho que com certeza nenhum fã de GoT passou incólume!
Outra coisa que é bem diferente no livro é Dorne. Arianne Martell ficaria perfeita na tela. Aliás, Dorne é cheio de protagonistas maravilhosas que enriqueceriam o empoderamento feminino já característico da obra. Outra parte que gostei também.
Tem muita coisa que foi para a série, como a história dos Altos Pardais que servem a Cersei para acabar com o começo do poder que Marguery estava exercendo sobre Tommen. Mas, quem viu a série e leu o livro sabe que o feitiço, virou contra o feiticeiro. Aliás, rainha.
O livro é todo inteligente. Inteligentemente complicado. Uma riqueza muito grande de detalhes e uma história muito boa, mas muito cheia de coisas que você tem que se esforçar para não cair na armadilha de só assistir a série. Mas se você decidir só assistir a série, tá tudo bem, você não é menos fã não. Não existe menos fã por isso, ou mais fã. Fã é fã. Você gosta torce e conversa sobre e quando você faz isso, colabora para que todos façam mais coisas com conteúdo para nosso deleite.
Mas enfim, o livro é bom. Vai te dar sono, você vai ficar meio disperso mas não menos ansioso para poder ler o próximo. Bem, foi isso que aconteceu comigo.

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